quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Blind Faith - Hyde Park, London 1969



Hyde Park, London 1969 Setlist:
01. Well All Right
02. Sea of Joy
03. Sleeping In The Ground
04. Under My Thumb
05. Can't Find My Way Home
06. Do What You Like
07. Presence of The Lord
08. Means To An End
09. Had To Cry Today

Áudio: Mp3 - 320kbps
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"Well All Right" nos surpreende logo quando uma virada no contra-baixo traz um riff cheio de swing na guitarra de Clapton. "Sea of Joy" é, na minha opinião, a mais bela das conções da banda e também uma das mais belas canções desse mundo(sem exagero), contudo vale mais a versão de estúdio pelo violino que não está presente nesse show(aguardem o post de amanhã). "Sleeping in the Ground", um belo blues e "Under My Thumb", um excelente cover dos Stones. "Can't Find My Way Home" é um dos ápices do show(veja o vídeo, no final a câmera foca nós pés de Baker e fica nítido como ele quebra o tempo com os bumbos):


De cada dez malucos hoje que conhecem o Cream a maioria não ouviu falar sobre o Blind Faith. E diga-se de passagem que o Cream também deveria ser mais conhecido por essa nossa geração.
Clapton, com o Cream, passou alguns anos com o revolucionário do baixo Jack Bruce e o mago da bateria Ginger Baker. O Cream se desfez e surgiu o Blind Faith. Durou apenas um ano, ainda com Ginger Baker e agora com o tecladista e vocalista Steve Winwood. A figura imponente e excêntrica de Jack Bruce fora substituída pelo baixista Ric Grech. E ainda depois que o Blind Faith, por sua vez, se desfez Clapton formou o grupo Derek and the Domino's o que também resultou em apenas um disco com contribuições de Duane Allman.
De qualquer modo esses anos representam o auge, não só de Clapton, mas de todos esses heróis citados acima. E esses três grupos(Cream, Blind Faith e Derek and the Dominos) fizeram coisas únicas.
Sabemos que o Cream era uma febre, Jimmy Page mais tarde diria que o Led Zeppelin agregou muitos fãs  que estavam orfãos devido ao fim da banda.  Uma junção excepcional e peculiar entre o Rock e o Blues. Ginger Baker é um pouco mais leve que Bonham e não tão leve quanto o Moon. As levadas hiperativas de Jack Bruce ganharam mais hamonia nas mãos de John Paul Jones(Led Zeppelin) e mais técnica e ritmo nas mãos de John Entwistle(The Who). Se você leu tudo até aqui e ainda não conhece o Cream pode ir no post deles e baixar o "Those Were the Days" que tem dois discos de estúdio e dois ao vivo, a parte ao vivo é muito boa e frita.
Clapton anunciaria mais tarde que considerava-se o músico mais fraco do Cream.... mas por que acabou precocemente? A culpa é de um neguinho chamado Hendrix? Não exatamente. Ele simplesmente chegou no stage do Cream e pediu para fazer uma jam com eles. Os rock-stars de Londres pararam para ver, segundo a lenda, lá estavam Waters, Gilmour, Townshend, Keith Richards e outros.
A saber, uma das músicas tocadas por Jimi com o Cream foi "Killing Floor", quanto você pagaria para ter estado lá? Esse vídeo é um trecho de um documentário(Birth of Rock) e fala a respeito do que foi essa jam com falas de Bruce e Baker:


Hendrix quebrou tudo! Deixou Clapton atravessado, na falta de palavra melhor. Esse baque somado a uma já sensação de estagnação no Cream, que não criava mais músicas novas mas fritava no palco cada vez mais as consagradas antigas, fez com que Clapton repensasse toda sua atitude. Então ele propôs mudar o estilo, mas Bruce negou-se, então surgiu o Blind Faith.
Bom, isso são apenas fragmentos de um contexto histórico e nunca saberemos todos os fatos por trás de tudo.


O Blind Faith que vos apresento agora é algo magnífico! Steve Winwood com sua voz celestial e sua contribuição psicodélica no teclado, Ginger Baker mais preciso do que nunca e Clapton dando aos arranjos o requinte que só ele poderia dar. Diferentemente do Cream, as músicas do Blind Faith dão espaço para todos os instrumentos em vez de ficar todo mundo improvisando e fritando. Não se trata de uma crítica, é simplesmente diferente.


Fica pra amanhã o post com o disco de estúdio(em FLAC) da banda com as jams e tudo mais! Até amanhã então!

2 comentários:

  1. Belo trabalho de pesquisa, adorei sua postagem, rock lisérgico com psychedelic vibes...

    Grande abraço.
    Augusto Senna.

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